Nem de longe, alguém poderia imaginar, que uma banda saída há alguns anos da cena independente paulista, mais voltada para o punk rock/hardcore, poderia alcançar tanto êxito e reconhecimento no cenário mainstream, onde produtos, artistas ou bandas "pré fabricados" são despejados aos montes. Ainda bem, para todos nós, que o CPM 22 conseguiu manter a sobriedade e não se rendeu a ondas momentâneas ou fórmulas mercadológicas e mantiveram sua música de maneira integra, o que vem ocorrendo até os dias de hoje...

O primeiro Cd, A alguns quilômetros de lugar nenhum, lançado de maneira totalmente independente pela banda, já mostrava bastante potencial. Pouco tempo depois, foram contratados pela Arsenal Music, que acreditou, investiu e lançou o álbum seguinte de nome CPM 22 em 2001, resultando em mais de 150.000 cópias vendidas, e com canções que se transformaram em hits, como "Regina Let´s Go", "Tarde De Outubro" (cujo vídeo clipe rendeu o prêmio na categoria revelação no VMB, da MTV Brasil, no ano de 2002), "Anteontem" e "O Mundo Dá Voltas".

Em 2002, um novo álbum e a pressão que fatalmente ocorre, e que é por muitos chamada de "maldição ou síndrome do segundo disco", passou longe do CPM 22. Chegou A Hora De Recomeçar atingiu a expressiva marca de 180.000 cópias vendidas.

"Músicas como "Desconfio", "Ontem", "Dias Atrás" e "Não Sei Viver Sem Ter Você", não só fizeram a cabeça de muita gente, mas também colocaram o CPM 22 como um dos expoentes do cenário rock, e levou à banda aos quatro cantos do Brasil através de centenas de shows.

Em 2005, Badauí (voz), Wally (guitarra e voz), Luciano (guitarra) e Ricardo Japinha (bateria e voz), apresentaram o álbum Felicidade Instantânea.

A primeira música de trabalho deste CD, "Um Minuto Para O Fim Do Mundo", uma parceria entre Wally e Rodrigo Koala do grupo Hateen, foi durante meses a música mais tocada nas rádios brasileiras. Outras, deste mesmo Cd, como "Irreversível", "Não vá Embora", "Apostas e Certezas" e até "Contagem Regressiva" são cantadas em uníssono durante os shows.

Apesar de ter sido o guitarrista Luciano responsável pela gravação do baixo no álbum Felicidade Instantânea para as apresentações ao vivo, a banda convocou um amigo de longa data, o músico e produtor Fernando Sanches, num casamento musical que não poderia ter sido mais perfeito, já que Japinha também era baterista do Hateen.

Shows, prêmios [no VMB 2005 da MTV Brasil - melhor vídeo clipe de rock com "Irreversível", escolha da audiência - "Um Minuto Para o Fim do Mundo" e o inusitado banda dos sonhos onde Ricardo Japinha foi escolhido o baterista junto com Pitty(vocal) , Edgar Scandura (guitarra) e Champingon (baixo)] e mais agenda totalmente lotada de shows, foram as conseqüências diretas deste novo álbum de sucesso que atingiu a marca de 80 mil cópias vendidas e se transformou, também, no DVD "Felicidade Instantânea" – que mostra cenas de estrada de shows, e a banda tocando no Midas Studios.

Com esta nova formação cada vez mais afiada e se mostrando bastante estabilizada, já estava mais que na hora do lançamento de um trabalho literalmente ao vivo. Desta idéia surgiu uma parceria da Arsenal Music , MTV Brasil e Universal Music que orgulhosamente apresentam: MTV ao VIVO CPM 22.

O CD tem 23 músicas no total (21 faixas). Uma importante revisão de grandes canções como "Regina Let´s Go", "Desconfio", "O Mundo da Voltas", "Irreversível", "Um Minuto Para o Fim do Mundo", "Apostas e Certezas", "Tarde de Outubro", "Anteontem", entre outras, ou seja, uma verdadeira coleção de hits em mais de uma hora de muita adrenalina e emoção musical, tudo isto a cargo da produção de Rick Bonadio, Rodrigo Castanho e Paulo Anhaia.

A banda resgatou de maneira magistral "Light Blue Night" do primeiro CD independente, montaram um curioso e funcional medley das músicas "Peter", "60 Segundos" e "Garota da TV", além de quatro novas canções: "Inevitável" (que logo de cara se tornou a primeira música de trabalho desta obra) prometendo ser mais um grande hit , "Pouco pra Mim", "Libertar" e "Além de Nós".

A gravação de MTV ao VIVO CPM 22, foi na cidade de São Paulo nos dias 10 e 11 de Maio de 2006, no Espaço das Américas.

O público, que compareceu em massa nos 2 dias de gravação, foi posicionado de maneira muito bem pensada, colocado em volta de um palco redondo, central, construído estrategicamente no centro da casa, para que, ao mesmo tempo, transmitisse um feeling de a banda estar tocando numa garagem, ou em uma casa de shows de pequeno porte e, assim, criando a atmosfera perfeita para uma gravação ao vivo.

E a resposta foi simplesmente impressionante, mágica. No decorrer da audição do CD, por várias vezes, a vontade é de sair pulando da cadeira, cantar e gritar junto com a banda, como o próprio público o fez em praticamente todo o show. Badauí, Wally, Luciano, Ricardo Japinha e Fernando, se mostram músicos seguros, de grande calibre, donos do palco, e totalmente entrosados, que trabalharam arduamente para chegar onde estão.

Em 2007, a banda lançou o állbum  "Cidade Cinza" . O bom e velho CPM 22 de sempre,  e mais duas faixas que fogem do estilo original da banda,  mas que não deixam nada a desejar, pelo contrário, acrescentam e mostram a bagagem acumulada nos últimos dez anos de estrada.

Mantendo a parceria com os produtores musicais Rick Bonadio, Rodrigo Castanho e Paulo Anhaia, é o primeiro disco de inéditas e de estúdio com a formação atual: Fernando Badauí (voz), Eduardo Wally (guitarra e backing vocal), Luciano Garcia (guitarra), Ricardo Japinha (bateria) e Fernando Sanches (baixo).

São doze músicas em trinta e poucos minutos, instrumental gravado ao vivo, as cordas com afinação mais baixa e... putz, o resultado ficou foda!!! Sabe aquele disco que cabe inteiro de um lado de uma fitinha K7? É isso. Disco bom é assim. De Bad Religion a NOFX, passando por Rancid e Face To Face, cada faixa deixa bem claro que essa é a escola do CPM22, o tipo de som que a banda sempre ouviu.

"Estranho No Espelho" abre o CD, melodia triste com dedilhados e guitarraria monstro, mas bem melancólica.

"Nossa Música" é mais alegrota, cavalgadas de guitarra a la Shelter e bateria acelerada. Destaque pro refrão que gruda no ato.

Com (des) harmonias diferentes, quase um outro tipo de choradeira numa pegada Descendents é a terceira faixa "Ano Que Vem Talvez".

Mas por que ficar sempre citando o nome de alguma banda gringa? Bem, uma coisa é influência, outra é cópia. O CPM22 põe o coração neste disco como sempre fez, só que desta vez, muito mais experientes, sólidos e maduros.

Tanto nas composições como na execução e na gravação.

"Escolhas, Provas e Promessas" é paulada, melódica, tipo Swingin Utters. Ao contrário do que os fãs estão acostumados a ouvir, "Tempestade de Facas" tem uma introdução com um puta som de baixo, é tenso, beirando o Punk SP antigo só que bem gravado.

"1000 Motivos" é CPM22 puro, bateria rápida com quebradas no meio da música.

"Depois de Horas" hardcore melódico dos bons, por mais que o termo tenha perdido o significado dá pra entender perfeitamente ao ouvir este petardo.

"Mais Rápido Que As Lágrimas" punk rock romântico, "Reais Amigos" e "Tempo" hardcore americano do jeitinho que o pai ensinou.

"Maldita Herança" é uma porradaria nervosa com uma parte metal, mais uma vez a banda flertando com outros estilos.

E por última ela, que leva o nome do disco, "Cidade Cinza", música linda, um hino imediato. Vocal meio falado naquela onda Rancid, uma homenagem a cidade hardcore. Cinza.

A ordem das músicas no disco, a duração perfeita do álbum, gravação impecável e a sutil diferença entre as canções (vez ou outra não tão sutil) fazem de "Cidade Cinza", um dos melhores  discos do CPM 22. Divirtam-se, é garantia garantida.

 

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